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Depois de alguma ausência (mas não abandono!), dado `a concentração em projetos paralelos desde a virada de 2012, retomo com entusiasmo redobrado  a edição do Life+Style. Escolho como ponto de retorno um tema que ocupa cada vez mais espaço na minha vivência pessoal e profissional – o VISUAL MERCHANDISING.

Uma das formas mais eficazes para fidelizar clientes, alavancar vendas e valorizar um projeto comercial, VISUAL MERCHANDISING é uma complexa área do marketing. Apaixonadamente multifacetada, reúne a necessidade de observação analítica e conhecimentos aplicados em áreas tão diversas quanto o design de interiores, arte contemporânea, moda, psicologia, antropologia… uma disciplina tão fundamental para os negócios comerciais de sucesso atuais como a sua carga de influências e simbolismo para identificar  uma marca.

Loja conceito da Aesop, empresa de cosméticos australiana que recém visitei na rue St. Honoré em Paris. Executada pelo encaixe artesanal de mais de 100o peças de madeira pré-fabricadas na Austráia, a  loja inspira a descoberta de produtos de alta qualidade , com staff treinado para prestar consultoria personalizada a cada visitante.

INTERIORES  SENSORIAIS – De forma mais abrangente, Visual Merchandising é, num primeiro momento, a distribuição espacial de produtos de forma a apresentar uma narrativa sedutora e organizada que transforme curiosidade e surpresa do observador em desejo de compra do consumidor. Neste sentido, observando padrões de comportamento de consumo,  notamos a cada dia, o desinteresse do consumidor por simples produtos sendo substiutído pela fidelidade de seguidores de marcas que transmitem idéias.

Fixando um tester de loção para o corpo na fachada externa da loja, a Aesop ‘oferece’ a chance de qualquer passante na calçada experimentar um de seus produtos… uma forma simpática e criativa sugere a visita do inteior da loja! Exemplo de Visual Merchandising simples e eficaz !

ARTE e EXPRESSÃO DA REALIDADE – As mesmas relações básicas de composição, cor, forma, textura, rítimo, que regem a arte e suas manifestações, são utilizadas para seduzir o ato da compra evocando sensações e experiências únicas. O papel da arte contemporânea em refletir um mundo real – e que inspira muito mais provocação do que beleza e perfeição – é bastante parecido ao que encontramos representando os novos conceitos que regem o design de produtos e ambientes nos tempos atuais. Expressar identidade, evocar emoções, veicular sensações universais, são traços comuns tanto nas expressões de arte atuais como nos espaços comerciais contemporâneos e globalizados.

Vitrine da Louis Vuitton onde a simples idéia de rítmo através da cor e da repetição de elementos evocam a vontade de possuir a bolsa do centro do alvo… um objeto de desejo de 11 entre 10 mulheres no mundo de hoje…

DESIGN e ASSINATURA DE ESTILO – toda forma espacial (do objeto per se ou deste em relação ao espaço que ocupa), deve propor com clareza a utilidade ( funcional ou estética) do objeto . Num mundo onde desenvolvimento tecnológico, movimentos de consumo, transformam a beleza dos objetos em característica quase funcionais para uma vida melhor, uma escova de dente de 20 anos atrás com sua forma básica, foi repensada em novas cores, formas aerodinâmicas visando melhor performance, associando agregar mais beleza e mais graça a uma atividade simples e quotidiana. Desta mesma forma, o VISUAL MERCHANDISING,  chega para agregar harmonia e interesse em ambientes de varejo antes apenas preocupados em evidenciar produtos. O DESIGN evidencia ESTÉTICA,  DIFERENÇA E CUSTOMIZAÇÃO como valor agregado, não mais supérfluo, mas exigido por consumidores interessado numa vida mais interessante e mais saudável (ou você ainda acha que o BELO e o CURIOSO não têm o efeito direto na auto gratificação e  na auto estima??)

Loja boutique de Jean-Paul Hévin, chocolatier parisiense que constroe balcões de jóias para guardar suas ‘pérolas negras’.

ANTROPOLOGIA  da FORMA – observação, refinamento de análise e interpretação simbólica de elementos visuais como cor, brilho, simetria, afetam a mensagem objetos  e espaços. Dominar as tecnicas associativas que regem a percepção estética resolve problemas (confusão, desinteresse) desfavoráreveis  para a decisão de compra. Nesse sentido, conhecer e observar padrões de comportamento de grupos de consumidores é fundamental para operações, especialemente inciantes e mais conceituais, em unir foco conceitual a flexibilidade comercial de uma operação de varejo.

MARKETING da EXPERIÊNCIA – uma palavra desgastada pela associação simplista para vender produtos que muitas vezes são mesmo ruíns e mal feitos, MARKETING é um ponto central na evolução do varejo contemporâneo. Deixando de lado o lucro óbvio que ocupou a mente das empresas capitalistas do século XX, o século XXI apresenta desafios bem mais interessantes para os times de designers corporativos. Não que o interesse no lucro tenha sido esquecido. Pelo contrário. Ele só deixou de ser CAUSA para ser encarado como CONSEQUÊNCIA de uma experiência de excelência oferecida ao consumidor.  O motivo desta transformação pode ser a própria evolução histórica do consumo. Num mundo onde características como certificados de garantia, tempo de mercado, e  características intrísicas do produto são hoje percebidas como commodities por clientes exigentes e conectados, empresas são obrigadas a oferecer muito mais que um produto ‘de qualidade’. Em tempo, valoriza-se o marketing da experiência, onde congloremerados investem pesado na arquitetura sensorial, conceitual,  na narrativa dos ambientes onde apresentam seus produtos.

A força homogênea da cor verde serve de base para o destaque poético dos produtos nesta vitrine de primavera da Hermes.

Com uma história de anos como pesquisador em VISUAL MERCHANDISING, percebo cada vez mais o interesse no mercado brasileiro por cursos e artigos que abordem esse assunto, ainda bem pouco explorado por essas bandas.  Seja pelo boom da economia nacional, seja pela enxurrada de marcas de luxo que desembarcam no país (só no mês de maio 2012, recebemos 11 novas grifes internacionais em solo brasileiro), estaremos vivendo uma era de rápidas transformações no cenário do varejo nacional. Tanto na reformulação de impérios comerciais estabilizados como a adoção de uma nova consciência criativa na gestão de soluções customizadas para cada mercado. Mais que nunca, vencerá aquele que prestar atenção e souber interpretar com sutileza as NECESSIDADES  de um novo e exigente consumidor.

O verdadeiro desafio de um VM especial – área onde tenho investido tempo, recursos e muita paixão – é encontrar o meio termo (nem sempre óbvio) entre CONCEITO e COMÉRCIO.

Para concluir, atendendo pedidos, seguem duas dicas para quem tiver interesse em mergulhar mais fundo no assunto de Visual Merchandising.

DICA DE CURSO – fica a dica do valioso curso em Visual Merchandising que fiz em 2011 na CENTRAL ST. MARTINS em Londres de onde até desde então colho frutos. O curso, um painel de técnicas de design em composição, espaço, exposição, narrativa de produtos, valorização de sensações, análise estética de vitrines e interiores comerciais em vários setores, é um MUST DO na atuação em VM.

Um ponto alto da experiência da experiência na CSM é a preocupação com o exercício prático da teoria. Como conclusão de curso, cada aluno deve escolher uma loja londrina e desenvolver uma proposta de maquete de vitrine 3D que represente um projeto conceitual.

Maquetes de projeto final dos alunos em Visual merchandising no curso da CSM.

Depois da maquete pronta, o aluno deve ‘vender’ sua idéia para toda turma – um exercício para comunicar conceito com foco na execução comercial do projeto.

DICA de LEITURA – A revista FRAME é uma das bíblias especializadas para profissionais das áreas de design de lojas, marketing e visual merchandising conceitual. A revista, publicada em Amsterdam, custa 19 euros e infelizmente ainda não é vendida no Brasil. Ela sintetiza sinais de comportamento de consumo dos mais atuais, bem com direções de tudo que  está porvir. Neste sentido, a análise intuitiva fica por conta da capacidade de previsão do leitor  ;-)

Voltando de recente viagem a Paris, trouxe na mala a última edição da revista Frame, que você pode encontrar na loja conceito da Collette na rue St. Honoré. No número 86 da revista, o mago do design critica o stablishment da moda e anuncia o fim das tendências!

DICA de VIAGEM – FRANÇA – em Paris, eterna capital da moda, 10 dias servem para renovar e exercitar nossa sensibilidade estética. Avenida George V, com suas vitrines das grandes grifes, rue St. Honore com sua icônica Collete (onde garimpo por livros e revistas), ou uma simples visita a loja do Musee des Arts Decoratifs (na rue de Rivoli, onde atualmente está a imperdível exposição sobre Marc Jacobs e sua história na Louis Vuitton…), esses são alguns endereços imperdíveis numa estada na cidade luz.  Para absorver ao máximo o clima da cidade, outra dica inspiradora é alugar um pequeno studio no charmoso bairro do Marais… isso depois de 15 dias maravilhosos na ilha paradisíaca da Córsega.. mais detalhes sobre tudo isso e muito mais estará aqui, nos próximos posts do Life+Style. Aproveitem e até lá!

‘Experimentando’ uma instalação no Centre Georges Pompidou, um dos endereços obrigatórios em Paris para exercício da sensibilidade estética.

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6 Comments

  1. Oi Daniel,

    Ha 9 anos praticamos no MM a anti tendencia.
    Ficamos orgulhosos todas as vezes que constatamos nossos acertos e pioneirismos.
    Adoro ler seus posts. Parabens!

    • Olá Lígia!

      Há tempos sigo com prazer e torcida o Morar Mais, distinto de outros eventos de design/decoração pelo lado da contra-tendência… Parabéns por apostar e se posicionar num Brasil onde precisamos, mais que nunca, propor (e executar) soluções originais e customizadas.

      Abraços,
      Marcelo Novaes

  2. Há quanto tempo!! achei que tivesse te excluído da minha caixa de emails inadvertidamente hahahaha abs.,

    • Oi Lucas!!

      Bom ver vc por aki!!

      Pois é, tive 6 meses de 2012 com muitas demandas legais mas exigentes, colocando o blog, aonde dedico muita atenção e empenho meio de lado,, mas voltei e voltei para ficar… quem curte compartilhar as coisas q experimento num veículo como esse, depois q começa, difícil deixar esse meio de auto conhecimento inclusive que é alimentar um blog…

      Abraços,
      Marcelo

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