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De 19 de junho a 5 de setembro de 2010, o Southbank Centre, um dos pontos de maior visibilidade cultural de Londres, recebeu o Brazil Festival, trazendo várias manifestações da cultura contemporânea brasileira para o centro de Londres.

O projeto Morrinho foi uma maquete de cidade feita com tijolos a céu aberto. A peça foi criada pela parceria de crianças da favela Pereira da Silva no Rio de Janeiro e jovens da Stockwell Park State, maior comunidade de língua portuguesa no UK.

Localizada ao lado do National Theate, ao longo das margens do rio Tâmisa, a Hayward Gallery é referência nos campos do design e da arte contemporânea

Neste ano apresentou duas exposições imperdíveis: Ernesto Neto’s The Edges of the World e The New Décor.


ERNESTO NETO  –  THE EDGES OF THE WORLD foi um dos eventos que celebrou o Brazil Festival que aconteceu  até início de setembro 2010.

Ernesto Neto é um dos artista contemporâneos brasileiros mais celebrados da atualidade, dentro e fora do país.  Desde o início de sua carreira, é conhecido por produzir esculturas e instalações que exploram os extremos entre pêso e tensão.

Conheci Ernesto Neto quando em 2007 visitei seu atelier no centro do Rio de Janeiro.

Durante a última década o artista cria estruturas biomórficas em ambientes interativos com o espectador.

Nesta sua segunda (e maior) exposição na Hayward Gallery em Londres, o artista  utiliza a elasticidade e transparência de tecidos,  envolvendo especiarias como características principais de seu trabalho . Recentemente, experimentando novos materiais, ele explora novas técnicas e materiais como estruturas de madeira e aço cortadas a laser.

Interessado pela relação do indivíduo com o corpo humano, Ernesto apresena sua visão do coração, orgão onde o visitante torna-se responsável pelo som emitido a partir de um tambor.

A física, astronomia, psicologia e mais recentemente etnografia de indios brasileiros, tem feito parte dos interesses de Ernesto. Influenciado pelo trabalho de escultores europeus modernistas como Brancusi, Beuys e o grupo de Arte Povera italiana e americanos como Alexander Calder, Walter de Maria, Donald Judd, e Richard Serra, Ernesto expoe pela segunda vez na Hayward Gallery. Assim como Lygia Clark e Helio Oiticica, artistas para os quais interatividade e participação foram chaves, Neto acredita estabelecer desta mesma forma a conexão direta entre arte e vida. Seus trabalhos sugerem limites, oportunidades para sensações, para de troca e continuidade.

 

Nesta instalação de Edges of the World, a idéia da PELE, membrana que cobre todo o corpo, com função de defesa, de contato com o exterior, está por toda a exposição. Dentro da obra, o sentimento do participante é um mix de proteção, fantasia e descoberta do quanto somos, ao mesmo tempo, potentes e sensíveis, ao toque e ao convívio.

Visão, olfato, tato são alguns dos sentidos apurados pela forma do artista realizar sua arte.

Ao caminhar pelos túneis internos, passamos dentro de vasos que irrigam a epiderme da pele. O ir e vir de pessoas lembram a irrigação sanguinea do corpo, que enche-se de vida a cada pulsação. O sentido do olfato fica a flor da pela pelo aroma de alecrim e cheiro-verde, que exalam das paredes dos veios. Dentro de cavernas, visitantes são convidados a tirar os sapatos, deitar em almofadas e a compartilhar uma sensação de experiência coletiva, unidos por sensações universais que unem todos os seres humanos, independente de raça, cor, idade… Ernesto consegue seu intuito de unir, compartilhar, trocar. É emocionante ficar quieto, percebendo a entrega do visitante que, pouco a pouco, é seduzido pelo encantamento sugerido pela obra.

Em alguns pontos, o visitante é compelido a subir uma escadas de MDF e perceber o mundo da derme que recobre toda a superfície da exposição.

Vendo cabeças aparecerem e desaparecem, Neto convida ao questionamento sobre limites e sobre o que pode existir além do que nossa vista alcança.

Interagir com o espaço sugere a experiência entre os próprios visitantes, que parecem sintonizados sob o efeito do ambiente de sonho proposto pelo artista.

Essa escultura de folhas de metal (com 6 metros de altura) traz o interesse recorrente do artista em brincar com a dúvida de manter elementos suspensos no ar, desafiando a relação entre peso e gravidade.

Uma exposição com a grandeza de Edges of the World na Hayward Gallery, sinaliza o interesse e respeito com que o mundo está investigando a criatividade e interatividade proposta por este artista brasileiro, com olhar universal.

Os participantes são convidados a interagir e negociar o percurso sobre os caminhos suspensos num jardim com espécies de árvores típicas do Brasil e da Inglaterra.

THE  NEW  DÉCOR

Nesta outra exposição, a Hayward Gallery traz 32 artistas de 22 países, instalações e esculturas usam o design de interiores como linguagem.

Transformando ou subvertendo a aparência, o uso e exposição de mobiliário do dia-a-dia, esses trabalhos investigam a função tradicional do design de interiores em favor de novas formas de objetos do dia a dia.

Diversão ou perigo? Visitantes são colocados de frente com a dúvida quando convidados a deitar em uma cama suspensa por correntes.

Segundo o dicionário, décor significa “mobília e decoração de um quarto ou de um palco”. Nesta exposição, a palavra toma um tom além do óbvio, reforçada pelo mix entre teatralidade, glamour, humor e ironia.

A exposição nos lembra a nova direção do design de mobíliário contemporâneo. O redesign de elemnetos do dia-a-dia para criar novas propostas não está tão distante afinal.

Drama, exuberância, ilusão, percepção, brincadeira, mas também revolta, questionamento e silêncio, são algumas das sensações evocadas durante este passeio estético.

Algumas questões mais amplas como sentido de casa e segurança são evocadas. A exposição sugere a intensidade com que acontecimentos no mundo globalizado afeta nossas vidas. Tensões políticas, sociais e econômicas sugerem a fragilidade e a falsa liberdade da intimidade.

Iluminação aquece a forma e textura do concreto

Muitas das peças da exposição ocupam o lugar exato entre a dramaticidade teatral e o design de interiores.

Sabotando a tirania do design em massa e subvertendo convenções sociais e culturais, somos obrigados a rever e reorganizar nossa mobília mental,  questionar as relações físicas, intelectuais e psicológicas sobre os objetos e os lugares onde eles são hoje encontrados e como nos afetam.

A exposição relembra como ILUMINÇÃO é um dos mais poderosos elementos do design para conferir conforto e drama a interiores contemporâneos.

A exposição, que brinca todo o instante com a união de dois elementos para formar um terceiro,  me fez lembrar as obras que vi há 2 anos atrás numa exposição sobre Dadaísmo em New York.

Assim como as obras de Man Ray e Marcel DuChamps que tanto admiro, a exposição  New Décor nos faz perceber que a vida acontece em ciclos e que o pensamento de artistas considerados loucos, que viveram quase um século mais atrás, está mais que nunca presente entre nós…

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