Uma das maneiras mais interessantes para refinar percepção criativa e sofisticar o gosto , é simplesmente investir no acesso a cultura. Já ouvi dizer que cultura se pega por osmose… Nem tanto… Doses de curiosidade, inquietação, ausência de preconceito, ajudam. E claro, investimento de recursos e tempo para compartilhar viagens fantásticas também diferenciam habilidades.

TIME OUT, que sai todas as 4as. feiras, é palavra de ordem para priorizar tempo e energia de um super roteiro londrino.
Em Londres, cultura e comportamento se confundem nas ruas, nos museus, nas galerias, nas revistas de comportamento que costumo colecionar quando estou na cidade. Nesse sentido um roteiro não fica completo sem as dicas abaixo.
Com entrada direta logo na saída do metro de South Kensignton, o V&A marca com seu foco em moda, mídia e design.
Chego pela hora do almoço e logo festejo o dia com um saboroso almoço no belo jardim interno do museu. As exposições dividem-se entre as permantes (uma das mais impressionantes é a secão dedicada a MODA) e temporárias (com temas que irão influenciar designer, artistas e coleções de estilistas.)
Duas exposições chamaram minha atenção nesta temporada.
The Cult of Beaty – The Aesthetic Movement (1860-1900).
A exposição mostra a trajetória da produção artística na literatura, joalheira, moda, mobiliário, marcada pela preocupação da ‘arte pela arte’.
The Cult of Beaty foca o período de intensa produção artística que acompanhou o boom da revolução industrial no fim do século XIX, onde um grupo de artistas, designers, intelectuais se unem por um novo sentido de Beleza. O Aesthetic Movement, como veio a ser conhecido, reuniu boêmios românticos como Dante Rossetti, William Morris, Edward Burne-Jones e James McNeil Whistler.

James McNeill Whistler, um dos expoentes do movimento, retratou a forte influência oriental do período.
A exposição mostrou toda influência que se deu na produção artística, desde o decoração até o lifestyle excêntricos de artistas, que marcaram para sempre o rumo estético e intelectual do mundo ocidental.
”Art for the Art’s Sake” era o conceito central de artistas que acreditavam na arte pela arte, sem nenhuma intenção secundária, inspirada somente no ato da beleza pura e autêntica.

Kimono em filigrana prateada vendida na Liberty, uma das lojas de departamentos reconhecidas até hoje pela comercialização de ítens de decoração e moda.
Tal movimento, foi debatido por cétcios e racionalistas, para quem a arte não se separava de moral, história ou política.
Daí, no fim do século XIX, o movimento vai aos poucos perdendo sua força. Mesmo assim deixou marca eterna na estética ocidental, infuenciando setores estéticos como moda, interiores e comportamento até os dias de hoje.
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Yohji Yamamoto – Marca a trajetória de um dos mais influentes estilistas japoneses da atualidade. Dito um artesão na arte de fazer roupa, filho de costureira, Yohji mostra a sua preocupação com proporção e caimento. Dono de um senso de perfeição minimlista guiada pela assimetria que encontra na natureza do corpo humano, Yoji foi um dos responsáveis pelo desconstrutivismo japonês, movimento que influenciou a direção da moda mundial a partir da década de 80.
Avesso a ordem de cor, ombreiras e excessos que invadiam as passarelas naquela década, o artista resgatou o negro, a assimetria, a desconstrução. O V&A comemora os 30 anos do surgimento de Yohji, ainda ativo no seu atelier em Tokyo, de onde afirma: ” não sou um pessimista mas não acredito em renascimento por que fomos longe demais. O que digo é que coisas bonitas estão simplesmente acabando. Portanto olhe as que ainda estão por aí, seja perspicaz e cuidadoso… não vá muito além”. Palavras sábias para um momento onde rapidez, tecnologia e novidade exarcebada, deixa ás vezes um grande vazio.
Sentar, admirar os lustres de cristal, os mosaicos que forram as paredes e ‘respirar’ beleza por todos os lados é revigorante.
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Tate Modern reúne hoje umas das coleções mais completas de arte contemporânea do mundo. Para atingir um público crescente e exigente de cultura, o museu oferece entretenimento para um dia inteiro.
Desde uma programação de visitas guiadas por cônsultores de arte até uma “interactive Zone’, onde jogos e plataformas multimídia informam sobre as exposições temporárias, o museu dá um show de modernidade.
Aplicativos para aparelhos móveis, como IPhone e IPad, podem ser baixados nas áreas de wifi sobre as obras do museu.
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Na sequência do roteiro, ao longo de uma caminhada de 30 minutos pela Kensington Road, encontramos uma das galerias de arte mais charmosas da cidade – a Serpentine Gallery.

Instalações de artistas e designers contemporâneos animam a programação da galeria durante o verão do Hyde Park.
Um espaço cultural charmoso dedicado a arte contemporânea em meio a natureza, ainda guarda uma das livrarias mais interessantes e escondidas para os amantes de arte, moda e design.
Na Serpentine encontrei outra dica valiosa, o guia de roteiro da Wallpaper para Londres, que coleciono hoje para explorar ainda outras cidades como Paris, Barcelona e Tokyo.

Guia de Londres da série com dicas selecionadas de lojas conceito, arquiteura, gastronomia, comportamento.
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“Uma das maneiras mais interessantes para refinar percepção criativa e sofisticar o gosto, é simplesmente investir no acesso a cultura.” – Adorei sua frase. Super concordo com ela. Mais um post emocionante sobre Londres. Puxa, Marcelo, assim eu choro rsss Parabéns!
Você q é uma graça!!!
Beijos
Marcelo