Você já pode ter ouvido falar da LOVE no post Fashion Blogging X Fashion Press, onde o LIfe+Style comenta sobre comunicação em moda.
Pouco preocupada com uma abordagem estritamente comercial, a publicação é considerada hoje uma das bíblias em comportamento de moda. Criada e editada por Katie Grand, uma das stylists mais respeitadas do mundo, a LOVE é conhecida por sua linha conceitual, conteúdo obrigatório para estilistas, designers e forecasters. Não espere um show de celebridades ou manequins nas passarelas. Sua abordagem editorial fala de tendência de comportamento.
Sua 5a. edição apresenta a Androgeny Issue . Capa estampando a transex brasileira Lea T, editoriais lembrando ensaios de arte e conteúdos exalando questionamentos, desafiam a visão ortodoxa da mídia de moda.
Androgenia – uma das palavras chave do inverno 2012 – marca fronteiras cada vez menos marcantes entre os gêneros.
Um dos pontos que suscita a reflexão é constatar que em MODA, mais importante do que o sexo de quem usa um vestido, o que de fato conta é a harmonia da roupa com o INDIVÍDUO que a veste…
Curadora de exposições de moda para designers como Marc Jacobs, Katie edita a revista com o olhar de expert sem preconceito, sinalizando direções para o leitor interessado em novas possibilidades.
Transcrevo abaixo a ‘Editor’s Letter‘, leitura que preencheu com humor e reflexão parte das 12 horas de meu vôo Londres-Rio.
Aproveite!
‘É moda e não biologia a principal preocupação quando embarcamos nesta 5a. edição da LOVE. Glamour, flamboyance, decadência; cabelo, roupas, make-up… Exagero e toda essa onda de excessos criam um crescendo de artifícialidade, com a força para hipnotiza o olhar do obsevador muito mais do que o gênero a que o modelo pertence. Como Marc Jacobs sinalizou, apresentando modelos andróginos na sua coleção de verão para a Louis Vuitton, mostrar humor e ironia pode ser muito mais interessante do que julgamento sexual…Em parte, a onda de androgenia é reação `a última temporada de moda ( e `a 4a. edição da revista), recheadas de formas femininas e arredondadas…Algumas pessoas viram alí o retorno da mulher ‘real’, ‘natural’. Nós aqui da redação, podemos afirmar no entanto, que os editorias das mulheres ‘reais’ demandaram tanta atenção dos maquiadores quanto os looks das ‘garotas masculinas’ ou ‘garotos femininos’ que estampam nossa 5a. edição.
Alguns dos modelos apresentados nesta edição são transsexuais. Nós os incluímos porque eles são lindos – na verdade é tudo o que precisamos dizer sobre o assunto. O que pessoas fazem com o que tem dentro de suas calças pode ser interessante, mas bem menos, nós acreditamos, do que a mensagem de estilo … Você pode tirar suas próprias conclusões quando uma modelo abertamente transsex é escolhida para estampar a campanha de uma das grifes mais respeitadas do mundo. Ricardo Tisci, estilista da Givenchy, se incomoda com o fato de pessoas ainda serem colocadas em caixas rotuladas: ‘negros pertencem aqui, gays alí, transsex acolá’… Um conceito muito estreito para quem trabalha e vive com a gama de possibilidades e vastidão de comportamento humano que é a MODA. Nos esforçamos para evitar rótulos nesta edição. Todos os editoriais apresentam PESSOAS, que simplesmente se relacionam com a questão de gênero de forma pouco convencional. Se é verdade que a maioria de nós adora brincar com a maneira com que nos vestimos, lembramos de Oscar Wilde quando dizia, ’Se você não pode ser uma obra de arte, vista uma obra de arte’. O assunto aqui é sobre MODA, não sobre corpos. E como Lionel Vermeil sabiamente observou, ‘Roupas não tem sexo’. Simples assim.
KATIE GRAND, 10 de Janeiro de 2011.
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