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Arquivos Mensais:julho 2011

Lea T, estrela da campanha Givenchy e capa da 5a. edição da LOVE.

Você já pode ter ouvido falar da LOVE no post Fashion Blogging X Fashion Press, onde o LIfe+Style comenta sobre comunicação em moda.

Pouco preocupada com uma abordagem estritamente comercial, a publicação é considerada hoje uma das bíblias em comportamento de moda. Criada e editada por Katie Grand, uma das stylists mais respeitadas do mundo, a LOVE é conhecida por sua linha conceitual, conteúdo obrigatório para estilistas, designers e forecasters. Não espere um show de celebridades ou manequins nas passarelas. Sua abordagem editorial fala de tendência de comportamento.

Sua 5a. edição apresenta  a Androgeny Issue . Capa estampando a transex  brasileira Lea T, editoriais lembrando ensaios de arte e conteúdos exalando questionamentos,  desafiam a visão ortodoxa da mídia de moda.

Androgenia – uma das palavras chave do inverno 2012 –  marca  fronteiras cada vez menos marcantes entre os gêneros.

O modelo Andrej Pejic, estrela da grife californiana Rodarte.

Um dos pontos que suscita a reflexão é constatar que em MODA, mais importante do que o sexo de quem usa um vestido, o que de fato conta é a harmonia da roupa com o INDIVÍDUO que a veste…
Curadora de exposições de moda para designers como Marc Jacobs, Katie edita a revista com o olhar de expert sem preconceito, sinalizando direções para o leitor interessado em novas possibilidades.

Transcrevo abaixo a ‘Editor’s Letter‘, leitura que preencheu com humor e reflexão parte das 12 horas de meu vôo Londres-Rio.

Aproveite!

‘É moda e não biologia a principal preocupação quando embarcamos nesta 5a. edição da LOVE.  Glamour, flamboyance, decadência; cabelo, roupas, make-up… Exagero e toda essa onda de excessos criam um crescendo de artifícialidade, com a força para hipnotiza o olhar do obsevador muito mais do que o gênero a que o modelo pertence. Como Marc Jacobs sinalizou, apresentando modelos andróginos na sua coleção de verão para a Louis Vuitton, mostrar  humor e ironia pode ser muito mais interessante do que julgamento sexual…Em parte, a onda de androgenia é reação `a última temporada de moda ( e `a 4a. edição da revista), recheadas de formas femininas e arredondadas…Algumas pessoas viram alí o retorno da mulher ‘real’, ‘natural’. Nós aqui da redação, podemos afirmar no entanto, que os editorias das mulheres ‘reais’ demandaram tanta atenção dos maquiadores quanto os looks das ‘garotas masculinas’ ou ‘garotos femininos’ que estampam nossa 5a. edição.

Editorial da Paul Smith na LOVE.

Alguns dos modelos apresentados nesta edição são transsexuais. Nós os incluímos porque eles são lindos – na verdade é tudo o que precisamos dizer sobre o assunto. O que pessoas fazem com o que tem dentro de suas calças pode ser interessante, mas bem menos, nós acreditamos, do que a mensagem de estilo … Você pode tirar suas próprias conclusões quando uma modelo abertamente transsex é escolhida para estampar a campanha de uma das grifes mais respeitadas do mundo. Ricardo Tisci, estilista da Givenchy, se incomoda com o fato de pessoas ainda serem colocadas em caixas rotuladas: ‘negros pertencem aqui, gays alí, transsex acolá’…  Um conceito muito estreito para quem trabalha e vive com a gama de possibilidades e vastidão de comportamento humano que é a MODA. Nos esforçamos para evitar rótulos nesta edição. Todos os editoriais apresentam PESSOAS, que simplesmente se relacionam com a questão de gênero de forma  pouco convencional. Se é verdade que a maioria de nós adora brincar com a maneira com que nos vestimos, lembramos de Oscar Wilde quando dizia, ’Se você não pode ser uma obra de arte, vista uma obra de arte’. O assunto aqui é sobre MODA, não sobre corpos. E como Lionel Vermeil sabiamente observou, ‘Roupas não tem sexo’.  Simples assim.

KATIE GRAND, 10 de Janeiro de 2011.

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Uma das maneiras mais interessantes para refinar percepção criativa e sofisticar o gosto , é simplesmente investir no acesso a cultura. Já ouvi dizer que cultura se pega por osmose… Nem tanto… Doses de curiosidade, inquietação, ausência de preconceito, ajudam. E claro, investimento de recursos e tempo para compartilhar viagens fantásticas também diferenciam habilidades.

TIME OUT, que sai todas as 4as. feiras, é palavra de ordem para priorizar tempo e energia de um super roteiro londrino.

Em Londres, cultura e comportamento se confundem nas ruas,  nos museus, nas galerias, nas revistas de comportamento que costumo colecionar quando estou na cidade. Nesse sentido um roteiro não fica completo sem as dicas abaixo.

VICTORIA & ALBERT MUSEUM

Com entrada direta logo na saída do metro de South Kensignton, o  V&A marca com seu foco em moda, mídia e design.

Foyer do V&A atrae variadas nacionalidade, idades.

Chego pela hora do almoço e logo  festejo o dia com um saboroso almoço no belo jardim interno do museu. As exposições dividem-se entre as permantes (uma das mais impressionantes é a secão dedicada a MODA) e temporárias (com temas que irão influenciar designer, artistas e coleções de estilistas.)

Duas exposições chamaram minha atenção nesta temporada.

The Cult of Beaty – The Aesthetic Movement (1860-1900).

The Cult of Beaty

A exposição mostra a trajetória da produção artística na literatura, joalheira, moda, mobiliário, marcada pela preocupação da ‘arte pela arte’.

The Cult of Beaty foca  o período de intensa produção artística que acompanhou o boom da revolução industrial no fim do século XIX, onde um grupo de artistas, designers, intelectuais se unem por um novo sentido de  Beleza. O Aesthetic Movement, como veio a ser conhecido, reuniu boêmios românticos como Dante Rossetti, William Morris, Edward Burne-Jones e James McNeil Whistler.

James McNeill Whistler, um dos expoentes do movimento, retratou a forte influência oriental do período.

A exposição mostrou toda  influência que se deu na produção artística, desde o decoração até o lifestyle excêntricos de artistas, que marcaram para sempre o rumo estético e intelectual do mundo ocidental.

Elementos como o pavão, o girassol e o escrtior Oscar Wilde foram símbolos do movimento.

 ”Art for the Art’s Sake” era o conceito central de artistas que acreditavam na arte pela arte, sem nenhuma intenção secundária, inspirada somente no ato da beleza pura e autêntica.

Kimono em filigrana prateada vendida na Liberty, uma das lojas de departamentos reconhecidas até hoje pela comercialização de ítens de decoração e moda.

Tal movimento, foi debatido por cétcios e racionalistas, para quem a arte não se separava de moral, história ou política.

Daí, no fim do século XIX, o movimento vai aos poucos perdendo sua força. Mesmo assim deixou marca eterna na estética ocidental, infuenciando setores estéticos como moda, interiores e comportamento até os dias de hoje.

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Retrospectiva de 30 anos do estilista Yohji Yamamoto.

Yohji Yamamoto  – Marca a trajetória de um dos mais influentes estilistas japoneses da atualidade. Dito um artesão na arte de fazer roupa, filho de costureira, Yohji mostra a sua preocupação com proporção e caimento. Dono de um senso de perfeição minimlista guiada pela assimetria que encontra na natureza do corpo humano, Yoji foi um dos responsáveis pelo desconstrutivismo japonês, movimento que influenciou a direção da moda mundial a partir da década de 80.

Coleção Inverno' 83, onde bolsas são peças acopladas a casacos de lã.

Avesso a ordem de cor, ombreiras e excessos que invadiam as passarelas naquela década, o artista resgatou o negro, a assimetria, a desconstrução. O V&A comemora os 30 anos do surgimento de Yohji, ainda ativo no seu atelier em Tokyo, de onde afirma:  ” não sou um pessimista mas não acredito em renascimento por que fomos longe demais. O que digo é que coisas bonitas estão simplesmente acabando. Portanto olhe as que ainda estão por aí, seja perspicaz e cuidadoso… não vá muito além”. Palavras sábias para um momento onde rapidez, tecnologia e novidade exarcebada, deixa ás vezes um grande vazio.

Retrospectiva de 30 anos de Yohji Yamamnoto.

Sentar, admirar os lustres de cristal, os mosaicos que forram as paredes e ‘respirar’ beleza por todos os lados é revigorante.

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TATE MODERN

Tate Modern reúne hoje umas das coleções mais completas de arte contemporânea do mundo. Para atingir um público crescente e exigente de cultura, o museu oferece entretenimento para um dia inteiro.

Obras de artisitas do Pop Art como Andy Wahrol e Roy Lichenstein estão entre os meus favoritos.

Desde uma programação de visitas guiadas por cônsultores de arte até uma “interactive Zone’, onde jogos e plataformas multimídia informam sobre as exposições temporárias, o museu dá um show de modernidade.

'Interactive Zone' no 5o. andar do museu.

Aplicativos para aparelhos móveis, como IPhone e IPad,  podem ser baixados nas áreas de wifi sobre as obras do museu.

Lojas de museus oferecem oportunidades criativas para presentes a ótimo preço.

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SERPENTINE GALLERY

Arquitetura se mescla com a natureza do Hyde Park, um dos oásis da cidade nos dias de sol.

Na sequência do roteiro, ao longo de uma caminhada de 30 minutos pela Kensington Road, encontramos uma das galerias de arte mais charmosas da cidade –  a Serpentine Gallery.

Instalações de artistas e designers contemporâneos animam a programação da galeria durante o verão do Hyde Park.

Um espaço cultural charmoso dedicado a arte contemporânea em meio a natureza, ainda guarda uma das livrarias mais interessantes e escondidas para os amantes de arte, moda e design.

Na Serpentine encontrei outra dica valiosa, o guia de roteiro da Wallpaper para Londres, que coleciono hoje  para explorar ainda outras cidades como Paris, Barcelona e Tokyo.

Guia de Londres da série com dicas selecionadas de lojas conceito, arquiteura, gastronomia, comportamento.

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